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A luta pela segurança da mulher

Foto do escritor: Kallita Tretto
Kallita Tretto
18 de nov. de 2019
2 min de leitura

A insegurança é uma situação constante na vida de Angela, que trabalha como motorista de aplicativo


Nova atualização do aplicativo Uber promete que motoristas poderão escolher passeiras mulheres. Crédito: Kállita Tretto


Seja qual for o momento do dia, a mulher precisa sempre estar atenta. A sensação constante de alerta está presente no seu local trabalho, na rua ou até mesmo dentro de casa. Uma pesquisa, realizada em maio, pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Instituto Patrícia Galvão apontou que 51% das 1081 mulheres entrevistadas se sentem inseguras no transporte público, 10% no uso de transportes de aplicativos e outras 8% entre os táxis. A motorista de aplicativo Angela Souza da Silva, que faz suas corridas durante o turno da noite, afirma que o perigo é eminente, mas que olhar para o banco de trás e ver que uma mulher entrou no seu carro à tranquiliza. "Levar passageiras é um alívio tanto para elas quanto para mim", pontua.


Essa nova imersão em cargos e empregos que antes eram ocupados majoritariamente por homens vem crescendo entre as mulheres. Mas, apesar das estatísticas melhorarem a cada ano, segundo o último levantamento da pesquisa Panorama Mulher, apenas 13% das empresas brasileiras têm CEOs mulheres. “Essa construção é sociocultural, a cada dia que passa avançamos, mas ainda temos muita luta pela frente”, reforça a assistente social social e conselheira tutelar Tassiana Wilborn.


No Brasil, a Uber divulgou que apenas 6% de seus motoristas são mulheres. Visando a proteção tanto da motorista quanto da passageira, o aplicativo anunciou em outubro que, em sua nova atualização, vai permitir que as motoristas escolham passageiras do sexo feminino. Para Angela, que já sofreu um assalto dentro de seu veículo com três passeiros homens, a notícia vem em boa hora. “O risco está sempre ali e acredito que essa mudança possa melhorar a situação de muitas motoristas. Hoje, participo de inúmeros grupos para garantir a minha integridade. Afinal, eu preciso voltar para casa”, pontua.


Segundo Tassiane, que atuou durante três anos no Centro de Referência Viva Mulher – local especializado em atender, de forma gratuita, mulheres hamburguenses vítimas da violência doméstica – essa segurança precisa, principalmente, ser garantida pelo Estado através de políticas públicas e redes de apoio. "Precisamos nos fortalecer. As redes auxiliam muito neste processo. Além disso, precisamos desconstruir esses conceitos para dar início ao novo", disse.


Podcast ‘Tá na TPM?’


A primeira temporada do podcast ‘Tá Na TPM?’, idealizado pelas podcasters Betina Ludwig, Kállita Tretto, Larissa Carlosso e Letícia Breda, está abordando temas que afetam o universo feminino como um todo. Nos episódios, as jornalistas trazem convidadas e especialistas para debater sobre menstruação, maternidade, segurança e prevenção.

 
 
 

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